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Karate: O treino do Karate-doO Karate-do é, sem sombra de dúvida, uma extraordinária prática física, e que só assim deve ser considerado na sua fase primária, dado que nos primeiros anos de prática, ele obriga-nos a um exaustivo trabalho físico, de adaptação a movimentos completamente estranhos. O treino de Karate-do consiste, fundamentalmente, em três partes distintas:
O Kihon é o treino de base. O nosso corpo deve, através de exercícios básicos, ganhar a possibilidade de trabalhar de um modo correcto. É através dos exercícios de Kihon que se suprimem as mais elementares deficiências de movimentação, e também, onde começamos a entender a necessidade de que os braços e as pernas se devem coordenar. Mais tarde, as ancas devem ser integradas nessa coordenação, de modo a que um simples movimento de mão, ou de pé, tenha a energia total do corpo a servi-lo.
A Kata, termo que significa forma, tem a finalidade de, muito simplesmente, dar forma, beleza e estética aos movimentos básicos do Kihon. Esses movimentos que antes foram aprendidos isoladamente, e um a um executados, são agora na Kata encadeados. Aqui se desenvolvem qualidades de âmbito psico-motor, as quais, correspondem: ao desenho, à sequência e ao pormenor técnico, (factores físicos), e à respiração, ao ritmo e à intenção, (factores psicológicos). Assim, o encadeamento das várias técnicas, a movimentação em vários sentidos e direcções, o ritmo da movimentação, segundo a interpretação de cada técnica, e a respiração adequada, são o objectivo real das Kata(s). O Kumite, que traduzido para português significa «combate», é, ao contrário do Kihon e da Kata, praticado sempre com um companheiro de treino, de modo que, cada um, possa criar dificuldades ao seu companheiro, através dos seus próprios movimentos. Neste tipo de treino, o objectivo é colocar as técnicas, que até agora foram praticadas no vazio, tendo como alvo um companheiro, obedecendo, no entanto, aos princípios básicos do Kihon e da Kata, por forma a que possam ser ricas em energia e o mais possível estéticas e com a forma ideal. Ao longo do tempo, no Ocidente, erradamente se formou a ideia de que o «combate» era a finalidade do treino de Karate-do. Porém, na verdade, isso é bem diferente. Na realidade, o que se passa é que, sem uma razoável experiência de Kihon e de Kata, difícilmente se consegue uma boa coordenação em Kumite. No entanto, não se deve olhar o Kihon nem a Kata como processos de preparação ao Kumite. O objectivo do Kihon é a correcção, o objectivo da Kata é a forma e a estética de movimentação, e o objectivo do Kumite é a capacidade de resposta em acto-reflexo, face às dificuldades criadas pelo parceiro de treino.
É necessário que todos comecem a entender esta maravilhosa prática Oriental, como um processo de desenvolvimento global do Homem, e não como uma preparação para o «combate». A real dificuldade para o praticante é o seu orgulho e a ânsia natural de vencer. Deste modo, pode-se afirmar que o nosso verdadeiro inimigo reside dentro de nós, e não nos outros. Aqueles que escondem nas deficiências do seu carácter, a vontade de derrotar os outros, vendo em cada companheiro de treino um «inimigo», acabam por ser derrotados, ou até mesmo, por "morrer", sem se aperceberem o que é que os atingiu. O Karate-do é um constante estado de observância interior, em busca da nossa verdadeira natureza. É urgente que o Homem compreenda que esta prática deve ser um meio de estabelecer o equilíbrio e a harmonia, não só consigo mesmo, como também com os outros semelhantes, e não, um processo de onde resultem inimizades e reacções hóstis. Só assim, desta forma, se compreenderá que a prática do Karate-do seja dirigida para todos:
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ANKS
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